Por vezes a inspiração escorrega pela minha mente. Eu nem entendo bem o porquê, já que tudo é escavado a uma profundidade muitas vezes assustadora. Olhando assim de cima, numa vista aérea da minha mente podem ver-se crateras feitas da procura desesperada dos porquês, de explicações, de soluções... Então se assim é, porque é que a inspiração escorrega como se o chão estivesse polido e escorregadio? Lá está, mais um buraquinho feito agora neste exacto momento. Um buraco pequenino é certo (não constitui uma preocupação de maior) mas ainda assim, um buraquinho.
Seja ela muita ou pouca, bem ou mal aproveitada, tenho para mim que a dita inspiração volta. Não que a tenha como certa, longe disso mas independentemente do tempo sempre regressou... Umas vezes visita-me por largas temporadas outras vezes vem tão de repente como um vulto e vai tão rapidamente como chegou.
Sim, eu sou daquelas que escreve num cantinho de um guardanapo quando apetece, sou das que guarda um pensamento na palma da mão para o levar comigo quase exactamente da forma como ele surgiu na minha cabeça... Depois é guardado e dependendo da sua importância assim o sítio onde vai ficar fechado. Não volto a procurá-lo, nunca se deve reler as ideias que surgem como nuvens. Se o fizesse passaria a ser um pensamento estranho e desajustado. Passaria a soar a eco na boca, criaria um desconforto aos olhos, enfim...
Vem, martela na mente durante algum tempo até lhe prestar atenção. Depois de escrito fica-me a sensação de ter resolvido a equação, de ter descoberto a incógnita. Vai comigo como se de um tesouro se tratasse até a uma caixinha, a um envelope ou mesmo até uma gaveta, sem nunca ser passado a limpo... Da mente para o papel já há que considerar um erro significativo por isso, evito correr o risco de o distorcer por completo tendo de o rasgar e deitar fora.
Fecho e alivia-me a mente por tempo indeterminado. Será assim para sempre, até ao dia em que todos eles serão rasgados, apagados, queimados e esquecidos. Não é um legado, não passa de pais para filhos, nada disso. Estão ali não para ser lidos por mim muito menos por terceiros mas para me fazerem acreditar a mim que tive uma história, que por mais alegre que seja ou mais triste que possa sentir-me, há uma história que me pertence! Provo a mim mesma em momentos de dúvida que não foi ilusão, que não reinventei um passado...
No fim, no meu fim, aí sim aqueles rabiscos já não terão razão de ser. Não sei bem ainda como o fazer, com o tempo vou pensando na forma de resolver a questão. Sei unicamente que será só meu, que não quero nem permitirei que alguém os viole em nome de uma curiosidade, ou até mesmo em nome de um laço que me una a esse alguém. É meu, só meu, de dentro de mim. É tudo o que acontece em mim e que só a mim pertence, só eu entenderei...
De vez em quando vou despejando aqui não os tesouros dos papelinhos, mas a mente de uma mulher tão natural como qualquer outra. Conversas, pensamentos, banalidades de uma mulher que tem tanto para dizer como qualquer outra mulher. Coisas que surgem na sequência de um sorriso ou de uma lágrima, tão somente como conversas de café com aqueles que me são próximos... Os meus tesouros, esses continuam nas gavetas e nas caixinhas. Para eles virem ao meu encontro não preciso da inspiração que teima em entrar e sair, que insiste em bailar no chão da minha mente...
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Seja ela muita ou pouca, bem ou mal aproveitada, tenho para mim que a dita inspiração volta. Não que a tenha como certa, longe disso mas independentemente do tempo sempre regressou... Umas vezes visita-me por largas temporadas outras vezes vem tão de repente como um vulto e vai tão rapidamente como chegou.
Sim, eu sou daquelas que escreve num cantinho de um guardanapo quando apetece, sou das que guarda um pensamento na palma da mão para o levar comigo quase exactamente da forma como ele surgiu na minha cabeça... Depois é guardado e dependendo da sua importância assim o sítio onde vai ficar fechado. Não volto a procurá-lo, nunca se deve reler as ideias que surgem como nuvens. Se o fizesse passaria a ser um pensamento estranho e desajustado. Passaria a soar a eco na boca, criaria um desconforto aos olhos, enfim...
Vem, martela na mente durante algum tempo até lhe prestar atenção. Depois de escrito fica-me a sensação de ter resolvido a equação, de ter descoberto a incógnita. Vai comigo como se de um tesouro se tratasse até a uma caixinha, a um envelope ou mesmo até uma gaveta, sem nunca ser passado a limpo... Da mente para o papel já há que considerar um erro significativo por isso, evito correr o risco de o distorcer por completo tendo de o rasgar e deitar fora.
Fecho e alivia-me a mente por tempo indeterminado. Será assim para sempre, até ao dia em que todos eles serão rasgados, apagados, queimados e esquecidos. Não é um legado, não passa de pais para filhos, nada disso. Estão ali não para ser lidos por mim muito menos por terceiros mas para me fazerem acreditar a mim que tive uma história, que por mais alegre que seja ou mais triste que possa sentir-me, há uma história que me pertence! Provo a mim mesma em momentos de dúvida que não foi ilusão, que não reinventei um passado...
No fim, no meu fim, aí sim aqueles rabiscos já não terão razão de ser. Não sei bem ainda como o fazer, com o tempo vou pensando na forma de resolver a questão. Sei unicamente que será só meu, que não quero nem permitirei que alguém os viole em nome de uma curiosidade, ou até mesmo em nome de um laço que me una a esse alguém. É meu, só meu, de dentro de mim. É tudo o que acontece em mim e que só a mim pertence, só eu entenderei...
De vez em quando vou despejando aqui não os tesouros dos papelinhos, mas a mente de uma mulher tão natural como qualquer outra. Conversas, pensamentos, banalidades de uma mulher que tem tanto para dizer como qualquer outra mulher. Coisas que surgem na sequência de um sorriso ou de uma lágrima, tão somente como conversas de café com aqueles que me são próximos... Os meus tesouros, esses continuam nas gavetas e nas caixinhas. Para eles virem ao meu encontro não preciso da inspiração que teima em entrar e sair, que insiste em bailar no chão da minha mente...
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7 comentários:
Susana...
Prendeste-me neste teu belo texto até á sua última letrinha
Palavras nossas. umas que gostamos de partilhar, outras de guardar
Pensamentos que nos invadem
Reflexoes permanentes
Sentires constantes
Gostei imenso de te ler
Deixo um beijo...na palma da mão...
Fecha-a e guarda-o no teu lindo coração
Noite muito linda te desejo
(*)
Bem-vinda sejas de volta e que a inspiração perdura para além do Natal.
Para (re)começar esta viagem de escafandro ao fundo do teu cérebro, não está nada mal.
Nota-se que é um planeta com vida, habitado por muitos neurónios, se calhar às vezes um pouquinho preguiçosos, mas quando isso mudar, ninguém te pára.
Beijos.
Andas desaparecida...
Momento:
Que bom leres e gostares. Um beijinho grande.
JP:
Há vida sim, com genica a mais, por isso a maior parte das vezes acendo só meia luz e algo em bicos de pés para não acordar a população toda. Dão muito trabalho quando estão todos despertos e activos e nem sempre tenho a energia toda para os aturar. Beijos!
Palpites:
Um pouco sim, não tenho conseguido o tempo que gostava de disponibilizar. Beijinhos grandes...
Olá linda desaparecida!
Que será feito desta menina, que parece querer voltar agora, timidamente?!
Gostei do post, sim senhora.
E entendo-te!
Já fui assim, guardava tudo, só, unica e exclusivamente para mim, como se fosse pertença das minhas entranhas.
Nã.....
Desisti!
A coisa começava a remoer, a cheirar mal....
Putrefazia-se e estourava!
Que bodeguice!
Agora despejo tudo, em palavras escritas. Que me importa quem me lê!
Sou eu, assim mesmo, nua e crua.
Não gosta? Não leia!
Quanto à inspiração escorregadia, eu chamar-lhe-ia antes inspiração versão enguia...quanto mais se tenta agarrar, mais ela nos foge.
Eh..eh..eh...
Beijos mil.
Até mais....
PS: Se ainda te lembras do reply que me deixaste, eu digo-te que tem todo o sentido sim. Eu não leio só nas linhas...tenho uma visão caleidoscopica para ler nas entrelinhas.
Excelente texto Susana.
Devorei letrinha por letrinha.
E entendi-te!
Mas tens que aprender a deitar um bocadinho mais cá para fora, caso contrário, qualquer dia rebentas Mulher!!!
Beijos mil em ti.
Bom fim de semana.
Deixo miosótis espalhados por aqui.
Olá, olá...
Passei por aqui para te deixar um beijinho e o desejo de uma boa semana.
Fica bem!
Até mais.....
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